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Acordes de cavaquinho: como se formam e como tocar

Da regra de empilhar terças até o sistema de desenhos móveis que transforma uma única forma em doze acordes ao longo do braço.

Atualizado em setembro de 2026 · Leitura de 11 minutos · Por Cavaquinho Online


Um acorde não é um desenho: é um conjunto de notas. O desenho é apenas uma das maneiras de colocar essas notas debaixo dos dedos. Quem entende a diferença deixa de depender de tabelas e passa a montar as próprias posições — inclusive as que não estão em lugar nenhum.

A regra de formação

Todo acorde nasce empilhando terças a partir de uma nota, chamada tônica. Sobre Dó:

Formação dos acordes mais usados, com Dó como tônica
CifraFórmulaNotasCaráter
C1 · 3 · 5C E GMaior, resolvido
Cm1 · ♭3 · 5C E♭ GMenor, recolhido
C71 · 3 · 5 · ♭7C E G B♭Dominante, pede resolução
C7M1 · 3 · 5 · 7C E G BSuave, bossa nova
Cm71 · ♭3 · 5 · ♭7C E♭ G B♭Aveludado
C61 · 3 · 5 · 6C E G AChoro, finais de frase
1 · ♭3 · ♭5C E♭ G♭Instável, de passagem
Cm7(♭5)1 · ♭3 · ♭5 · ♭7C E♭ G♭ B♭Meio-diminuto
Csus41 · 4 · 5C F GSuspenso, sem terça

Quatro cordas, quatro vagas

Numa tétrade que não cabe, a primeira nota a ser cortada é sempre a quinta — ela não define o caráter do acorde. A terça (maior ou menor?) e a sétima (dominante ou não?) são o esqueleto e permanecem. A tônica pode até ser dispensada quando o baixo ou o violão já a está tocando.

Como ler os diagramas deste guia

As posições aparecem de cima para baixo: 1ª corda (Ré, a mais fina), 2ª (Si), 3ª (Sol) e 4ª (Ré, a mais grossa). O número é a casa; 0 significa corda solta.

Acordes essenciais em primeira posição

Estes seis acordes cobrem a maior parte do repertório de roda.

G
  1. 1ª (Ré)0
  2. 2ª (Si)0
  3. 3ª (Sol)0
  4. 4ª (Ré)0
Sol maior: as quatro cordas soltas já formam Sol–Si–Ré
C
  1. 1ª (Ré)2
  2. 2ª (Si)1
  3. 3ª (Sol)0
  4. 4ª (Ré)2
Dó maior: Mi–Dó–Sol–Mi
D
  1. 1ª (Ré)4
  2. 2ª (Si)3
  3. 3ª (Sol)2
  4. 4ª (Ré)0
Ré maior: Fá♯–Ré–Lá–Ré
Em
  1. 1ª (Ré)2
  2. 2ª (Si)0
  3. 3ª (Sol)0
  4. 4ª (Ré)2
Mi menor: Mi–Si–Sol–Mi
Am
  1. 1ª (Ré)2
  2. 2ª (Si)1
  3. 3ª (Sol)2
  4. 4ª (Ré)2
Lá menor: Mi–Dó–Lá–Mi
Dm
  1. 1ª (Ré)3
  2. 2ª (Si)3
  3. 3ª (Sol)2
  4. 4ª (Ré)0
Ré menor: Fá–Ré–Lá–Ré

Compare Ré maior e Ré menor: a única diferença está na 1ª corda — casa 4 (Fá♯) no maior, casa 3 (Fá) no menor. Um semitom decide o clima da música inteira. É a terça em ação, como explicamos em intervalos musicais.

Dominantes: os acordes que empurram a música

O acorde com sétima menor gera tensão e pede resolução. Sem ele, o samba não "anda".

G7
  1. 1ª (Ré)3
  2. 2ª (Si)0
  3. 3ª (Sol)0
  4. 4ª (Ré)0
Fá–Si–Sol–Ré: resolve em Dó
C7
  1. 1ª (Ré)2
  2. 2ª (Si)1
  3. 3ª (Sol)3
  4. 4ª (Ré)2
Mi–Dó–Si♭–Mi: resolve em Fá
D7
  1. 1ª (Ré)0
  2. 2ª (Si)1
  3. 3ª (Sol)2
  4. 4ª (Ré)4
Ré–Dó–Lá–Fá♯: resolve em Sol
E7
  1. 1ª (Ré)2
  2. 2ª (Si)0
  3. 3ª (Sol)1
  4. 4ª (Ré)0
Mi–Si–Sol♯–Ré: resolve em Lá menor

O sistema da pestana: um desenho, doze acordes

Aqui está a grande economia do cavaquinho. Como as cordas soltas já formam Sol maior, prender as quatro cordas na mesma casa produz um acorde maior, com a tônica sempre na 3ª corda. Cada casa que você avança sobe um semitom.

Pestana reta: o acorde maior em cada casa
Casa123456789101112
AcordeA♭AB♭BCC♯DE♭EFF♯G

A partir dessa forma única, quatro variações resolvem quase toda a harmonia do samba. Chame de n a casa da pestana:

Variações a partir da pestana na casa n
Acorde1ª corda2ª corda3ª corda4ª cordaExemplo em C (n = 5)
MaiornnnnC — pestana na casa 5
Menornn − 1nnCm — 5 · 4 · 5 · 5
Com sextan + 2nnnC6 — 7 · 5 · 5 · 5
Com sétima (dominante)n + 3nnnC7 — 8 · 5 · 5 · 5
Com sétima maiorn + 4nnnC7M — 9 · 5 · 5 · 5

Uma casa a mais, outro acorde

Repare que só a 1ª corda muda: subindo dela duas, três ou quatro casas você passa de sexta para sétima e para sétima maior. Esse é o desenho que os mestres usam para "colorir" a harmonia sem sair da posição — e o que dá aquele deslize característico no fim das frases de choro.

Menores com sétima e o sistema pela 4ª corda

Um segundo grupo de desenhos móveis nasce quando a tônica fica na 4ª corda. A forma do menor com sétima é: pestana nas cordas 1, 2 e 3 numa casa n e a 4ª corda duas casas adiante.

Am7
  1. 1ª (Ré)5
  2. 2ª (Si)5
  3. 3ª (Sol)5
  4. 4ª (Ré)7
Sol–Mi–Dó–Lá: tônica na 4ª corda, casa 7
Dm7
  1. 1ª (Ré)10
  2. 2ª (Si)10
  3. 3ª (Sol)10
  4. 4ª (Ré)12
Mesmo desenho, cinco casas acima
C7M
  1. 1ª (Ré)9
  2. 2ª (Si)5
  3. 3ª (Sol)5
  4. 4ª (Ré)5
Si–Mi–Dó–Sol: a sétima maior no topo
C6
  1. 1ª (Ré)7
  2. 2ª (Si)5
  3. 3ª (Sol)5
  4. 4ª (Ré)5
Lá–Mi–Dó–Sol: o acorde do fim de choro

O diminuto e a razão de ele estar em todo choro

O acorde diminuto empilha três terças menores seguidas. Isso o torna perfeitamente simétrico: ele se repete a cada três casas. C°, E♭°, G♭° e A° contêm exatamente as mesmas notas.

Na prática, isso significa que existem só três acordes diminutos diferentes no sistema todo, e que qualquer desenho de diminuto pode ser deslocado três casas para cima ou para baixo sem mudar de acorde. No choro e no samba tradicional, ele funciona como ponte cromática entre dois acordes vizinhos — por exemplo em C – C♯° – Dm.

Erros que atrasam o iniciante


Perguntas frequentes

Quais acordes de cavaquinho aprender primeiro?

Sol, Dó, Ré e Lá menor. Com esses quatro já dá para acompanhar dezenas de sambas. Em seguida, acrescente G7, Mi menor e Ré menor — e você cobre o campo harmônico de Sol e de Dó quase inteiro.

Quantos acordes existem no cavaquinho?

Combinações há centenas, mas o repertório real gira em torno de doze tônicas e cerca de seis tipos de acorde. Dominando os desenhos móveis, você acessa todas elas com quatro ou cinco formas.

Por que meu acorde sai abafado?

Quase sempre porque um dedo está encostando na corda ao lado. Toque corda por corda dentro do acorde: a que não soar mostra qual dedo precisa ficar mais em pé.

Preciso mesmo aprender pestana?

Sim, e no cavaquinho ela é bem mais fácil que no violão: são quatro cordas, escala curta e tensão baixa. A pestana é o que abre os doze tons com um único desenho.

Sabe os acordes. Agora precisa de música.

Acorde solto não vira samba. O caminho mais curto é pegar repertório simplificado e ir tocando de verdade, com o dicionário de acordes do lado.

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