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Intervalos musicais no cavaquinho

A distância entre duas notas é a menor unidade de sentido da música. Quem enxerga intervalos no braço para de decorar posições e passa a construí-las.

Atualizado em setembro de 2026 · Leitura de 8 minutos · Por Cavaquinho Online


Intervalo é a distância entre duas notas, medida em semitons. No cavaquinho a conta é direta, porque cada casa vale exatamente um semitom. A partir disso, qualquer intervalo vira uma quantidade de casas — e qualquer acorde vira uma soma de intervalos.

A tabela que resolve tudo

Conte sempre a partir da nota mais grave, incluindo-a. De Dó a Mi há quatro semitons, ou quatro casas: é uma terça maior.

Os doze intervalos dentro de uma oitava
CasasNomeAbreviaçãoOnde aparece
1Segunda menor2ªmTensão cromática, acordes de passagem
2Segunda maior2ªMMelodias, acorde com nona
3Terça menor3ªmDefine o acorde menor
4Terça maior3ªMDefine o acorde maior
5Quarta justa4ªJAcordes sus4, suspensão
6Quarta aumentada / trítono4ªACoração do acorde dominante
7Quinta justa5ªJCorpo e sustentação do acorde
8Sexta menor6ªmEmpréstimo modal, clima agridoce
9Sexta maior6ªMAcordes de sexta, muito usado no choro
10Sétima menor7ªmDominantes e acordes menores com sétima
11Sétima maior7ªMBossa nova, samba-jazz
12OitavaMesma nota, região mais aguda

Os intervalos que já estão nas cordas soltas

A afinação DGBD é, ela própria, uma sequência de intervalos. Conhecê-los explica por que os desenhos de acorde do cavaquinho são tão compactos.

Distância entre cordas vizinhas
Par de cordasDistânciaIntervalo
4ª (Ré) → 3ª (Sol)5 casasQuarta justa
3ª (Sol) → 2ª (Si)4 casasTerça maior
2ª (Si) → 1ª (Ré)3 casasTerça menor
4ª (Ré) → 1ª (Ré)24 casasDuas oitavas

Por que a pestana reta soa como acorde maior

Se as cordas soltas formam Ré-Sol-Si-Ré, e Sol-Si-Ré é justamente um acorde de Sol maior, então uma pestana em qualquer casa produz um acorde maior — cuja tônica está na 3ª corda. Pestana na casa 2 dá Lá maior; na casa 5, Dó maior; na casa 7, Ré maior. Um único desenho, doze acordes.

Terças: o intervalo que dá nome ao acorde

Entre todos os intervalos, a terça é o que carrega a emoção. Ela decide sozinha se o acorde é maior ou menor:

Como a 3ª e a 2ª corda estão separadas por uma terça maior, tocá-las na mesma casa produz esse intervalo pronto. E como a 2ª e a 1ª estão separadas por terça menor, o mesmo gesto uma corda acima produz o outro. É daí que vêm as frases em terças paralelas tão características do choro brasileiro.

O trítono e a razão de o samba andar

Seis casas de distância formam o trítono, o intervalo mais instável do sistema. Ele aparece dentro de todo acorde dominante: em G7 (Sol-Si-Ré-Fá), o par Si–Fá é um trítono.

Essa instabilidade tem direção: o Si quer subir meio tom para o Dó e o Fá quer descer meio tom para o Mi. Juntos, formam a terça e a tônica de um acorde de Dó. É por isso que G7 resolve em C com aquela sensação de chegada — e é por isso que praticamente todo samba usa o V7 antes de voltar para o tom principal.

Experimento de trinta segundos: toque G7 (as quatro cordas soltas) e pare. Sinta a suspensão. Depois toque C. A resolução que você ouve não é opinião: é física dos intervalos.

Intervalos compostos e as tensões

Quando um intervalo ultrapassa a oitava, ele ganha outro nome, mesmo sendo a mesma nota em região mais aguda:

No cavaquinho, com apenas quatro cordas, essas tensões geralmente substituem uma nota do acorde em vez de se somarem a ele. Num G13, é comum abrir mão da quinta para caber a décima terceira.

Treinar o ouvido: três exercícios diários

  1. Cantar antes de tocar. Escolha um intervalo do dia, cante-o e só depois confira no braço. O erro entre o que você cantou e o que soou é exatamente o que precisa ser treinado.
  2. Ancorar em músicas conhecidas. A quinta justa ascendente abre "Brilha, Brilha, Estrelinha"; a segunda maior aparece logo no começo do "Parabéns pra Você"; a terça menor descendente é o chamado de duas notas que crianças usam nas brincadeiras de rua.
  3. Reconhecer no repertório. Ao ouvir um samba, tente identificar apenas se o baixo subiu ou desceu e quanto. Reconhecer direção já é meio caminho para tirar a música de ouvido.

Com intervalos dominados, o passo seguinte é organizá-los em sequência: é o que fazem as escalas, e empilhá-los de três em três produz os acordes.

Tirar música de ouvido é treinável

Reconhecer intervalo é questão de repetição guiada. Um curso estruturado encurta esse caminho porque te dá a ordem certa dos exercícios.

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